Nasceu em 8 de setembro de 1964 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil). Ele é casado com Denise Barcellos e tem um filho, Eduardo Machado.
De origem humilde, Jorge Barcellos cresceu entre casas alugadas por sua mãe em Porto Alegre, entre os bairros Santana e Bom Fim. Sua história está contada em seu livro "Sem indicação de importância" (Clube dos Autores, 2025). Concluiu o ensino secundário no Colégio Júlio de Castilhos e ingressou no serviço público por concurso, primeiro na Prefeitura e, após, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Foi graças à legislação de apoio ao servidor estudante que pôde cursar História na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, graduando-se na Licenciatura, em 1987, e no Bacharelado, no ano seguinte.
Seu bacharelado em história na UFRGS foi orientado por Sandra Pesavento. Estimulado a conciliar a historiografia francesa com a inglesa, escreveu "Saber e Moralidade: o discurso médico-higienicista sobre a mulher, a criança e as doenças do sexo em Porto Alegre (1890-1940)", que se tornou o primeiro estudo de história da sexualidade no Rio Grande do Sul, no qual trabalhou com as ideias de Michel Foucault, publicado posteriormente pelo Clube dos Autores.
Seu mestrado em educação na UFRGS foi orientado por Marisa Faerman Eizirik. Estimulado a aprofundar a produção intelectual francesa, especialmente nos estudos de Psicologia Social, escreveu "Pedagogia de Eros: territórios, vida cotidiana e saber nos programas de Educação Sexual em Porto Alegre, 1990", em que aprofundou sua leitura de estudos sobre a pós-modernidade. Foi seu primeiro trabalho de campo extenso: visitou escolas, realizou pesquisa etnográfica e produziu um estudo que combinava referências da Psicologia Social, Pós-modernidade e da história, publicado posteriormente pelo Clube dos Autores. De historiador, transformou-se num educador.
Foi em 1996 que conheceu sua esposa, a socióloga Denise Barcellos, então servidora pública da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Após a conclusão de seu mestrado, Barcellos obteve uma cessão funcional para a Secretaria Municipal de Cultura, na então gestão de Luis Pilla Vares. Trabalhou no Museu Joaquim José Felizardo com Flávio Krawczyk, Pedro Rubens Vargas e Paulo Muniz (in memorian), no Centro de Pesquisa Histórica, com Marion Kruse Nunes, e no Centro Cultural Usina do Gasômetro, com Luis Fernando Schuller. Nesse período, publicou volumes do projeto Memória dos Bairros "Santa Rosa" e "Glória", produziu exposições do MJJF e seminários internacionais com Agnes Heller e Michel Mafessoli, entre outros grandes pensadores. Recém-saído da pós-graduação, retornou ao trabalho de campo, onde se aprofundou na produção cultural em instituições.
Retorna à Câmara Municipal com a experiência de cinco anos na área cultural. Passou a integrar a equipe da Seção de Memorial, primeiro como pesquisador e educador, depois como coordenador. Foi aí que pôde trazer sua contribuição de pós-graduação e do período em que esteve cedido à PMPA: criou os serviços Exposições Itinerantes, Aula na Câmara, Câmara vai à Escola, Seminários Internacionais, Cinema na Câmara e o Núcleo de Pesquisas Históricas, responsável pelo projeto Publicações do Memorial e, após, assumiu a Coordenação da Seção de Memorial, reunindo os serviços no projeto Educação para Cidadania, que recebeu prêmio do CNPq e do FINEP na área de divulgação científica, durante sua gestão. Fez a pesquisa, curadoria e edição de mais de 50 exposições, realizou dezenas de palestras nas escolas e no interior da Câmara, realizou conferências internacionais no Legislativo com Michel Mafessoli, Robert Kurz e Slavoj Zizek, além de organizar publicações do legislativo como "Os homens bons e a Câmara Municipal", de Adriano Comissoli, e Gênero e Poder, de Sônia Sebenelo, além de sua própria autoria, "A Câmara na Cidade", lançada por ocasião dos 250 anos da Câmara Municipal na Feira do Livro.
Iniciou o curso de doutorado em Educação na Unisinos, em 2004, com orientação de Flávia Werle, abandonando os estudos por falta de recursos. Seis anos após, ingressa na pós-graduação pública, retomando seus estudos de doutorado em Educação em 2010, sob orientação de Nalú Farezena. Sua pesquisa, relacionada diretamente ao seu trabalho realizado na Câmara Municipal, intitulada "Educação e Poder Legislativo: a contribuição da Câmara Municipal na formulação de políticas públicas de educação no município de Porto Alegre (2004-2008)", foi publicada pelo Clube dos Autores. Essa publicação foi a forma de Jorge Barcellos devolver à instituição que o apoiou em seus estudos o conhecimento sobre sua natureza e função no campo de sua competência, que é a educação. Foi, à sua época, um dos raros servidores do legislativo a obter o título de Doutor.
Em 2020, passa a integrar a equipe da Escola do Legislativo Julieta Battistoli. Cria os serviços Universidade Aberta, com palestras realizadas para instituições de ensino de nível superior, e Rota Política, uma caminhada orientada no centro da cidade pelos cenários políticos. Além disso, criou o Núcleo de Estudos e Pesquisas da ELJB, que manteve parcerias com a Seção de Memorial no projeto Plenária do Estudante e com o Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS. Assume a Coordenação de Cursos da Escola do Legislativo, sendo responsável pela programação de cursos e eventos. Após sua aposentadoria em 2023, passou a dedicar-se ao que mais gosta: escrever seus livros em seu computador na praia de Cidreira. É colunista de Sler, plataforma de ler e escrever, onde publica semanalmente e de onde saem seus livros mais recentes.
Foram 37 anos de vida dedicados à educação e à pesquisa na Câmara Municipal de Porto Alegre. Apesar de que nem seus projetos nem os núcleos de estudos e pesquisas que organizou, sempre de maneira informal, tenham sido oficializados por resolução da Câmara, Jorge Barcellos se diz satisfeito por sua trajetória pública. Ele sabe que isso é também produto das circunstâncias do trabalho do legislativo, sempre às voltas com os problemas da cidade. Por outro lado, ele é agradecido pelo fato de que o parlamento permitiu que criasse um acervo de mais de 50 exposições itinerantes, que permaneceram no Legislativo e apoiam dezenas de professores em escolas na capital. Prefere lembrar, agora aposentado, a felicidade de ter trabalhado com total autonomia de pensamento, perseguindo sua visão de educação legislativa: uma educação cidadã, democrática, humanista, defensora dos direitos humanos, contra a exploração do capital e ao lado dos trabalhadores e dos oprimidos.
Jorge Barcellos também nunca teve sucesso em publicar suas obras por uma grande editora e nem se tornou um escritor famoso por suas mais de 29 obras escritas. Sua presença na mídia é tímida, não se tornou nenhuma grande referência na área, preferindo manter seu trabalho de forma discreta, silenciosa, mas contínua ao longo dos anos. A razão é que, devido à carência de recursos, sempre optou pela autopublicação, pelas tiragens reduzidas; nunca deixou a vida profissional ocupar mais espaço do que a vida pessoal. Nos termos do filósofo Byung-Chul Han, tão importante quanto escrever um livro é cuidar de seu próprio jardim na sua casa da praia de Cidreira. Na contramão do mercado, preferiu assumir um compromisso com a divulgação pública e gratuita de suas obras, se algum leitor as considerar de valor. É o que faz neste site. Entende que só se transformou no pesquisador que é graças ao ensino público. Por esta razão, entende que o conhecimento que produz deve ser também público. Neste site estão indicadas as obras e os links para download gratuito, sendo a aquisição das obras publicadas uma decisão do leitor. Entende que nem todos nasceram para serem autores de sucesso, nem todos historiadores, virarem personalidades com milhares de leitores, ou viajarem o mundo dando palestras. Alguns apenas sobrevivem no mundo fazendo o que gostam da forma que podem. Se o seu exemplo puder servir a outras pessoas que lutam por um lugar no mundo, já terá valido a pena; este é o seu caso.