Estudos críticos do neoliberalismo e do capitalismo contemporâneo:
Nesta linha, reúnem-se estudos que analisam os governos recentes da nova direita no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre e suas políticas neoliberais, com destaque para seus efeitos em dois fatos notáveis: a pandemia do coronavírus de 2020 e a enchente de 2024.
A atualidade do tema deste livro está no fato de mostrar a face recente da Nova Direita, organizada em torno de governos que assumiram o poder e constituem a base da implantação do projeto neoliberal no país. O autor demonstra ao longo da obra a unidade ideológica de projetos de governo em níveis distintos de poder; analisa o caráter neoliberal dos governo dos presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro, do governador José Ivo Sartori, do Rio Grande do Sul e do prefeito Nelson Marchezan Jr, de Porto Alegre. Através destes níveis distintos de poder, Barcellos mostra a complexidade da dominação burguesa e do capital financeiro, que se aceleraram recentemente por que foram capazes de fundamentar a reprodução do capital nas relações políticas estabelecidas. Analisando a atuação desses governos e governantes no período que vai de 2016 à 2020, a obra mostra que agora, as pautas do projeto neoliberal no Brasil em sua ofensiva contra a sociedade~, servidores públicos e trabalhadores são construídas a partir de dentro do Estado, o que torna muito mais difícil a luta social porque a dominação conquistou o Estado de Direito. E conclui que o capital, apesar desse novo estágio de exercício do poder, continua com o mesmo objetivo de implantar a velha dominação social através da estratégia do enxugamento de direitos para garantir seus lucros. Estudo essencial para a compreensão dos modos de funcionamento político do neoliberalismo, o autor mostra que o efeito desse sistema é transformar o estado numa marionete à serviço do capital, que entra em estado de êxtase quando governantes neoliberais assumem o poder cujo prazer é ver a classe trabalhadora pagar o preço de seu desejo.
Em Porto Alegre, uma capital caracterizada por sua cultura e arquitetura deslumbrantes, é fundamental entender, para a preservação de sua identidade, que as transformações impulsionadas pelas políticas neoliberais em ascensão estão resultando na sua transformação em uma cidade semelhante às demais. "Porto Alegre: das origens à predação neoliberal", do historiador Jorge Barcellos, oferece em dois volumes e quase 1.400 páginas, uma análise pessoal e profunda do desenvolvimento de Porto Alegre. Neste primeiro volume, o autor partiu dos modos como viu Porto Alegre ser construída: cidade, sociedade, política, memória, educação e cultura são os campos descritos das origens no século XVII a meados do século XX. A obra é uma compilação de artigos, estudos, palestras e curadorias de exposições do autor. Não é um manual de história da cidade, mas oferece a visão pessoal de um de seus pesquisadores. Aqui, originalidade, pertencimento e diferença marcam o tom da identidade da cidade. Inspirado nos principais historiadores de Porto Alegre, como Sérgio da Costa Franco e Sandra Pesavento, o texto mostra como a arquitetura da cidade e sua evolução se combinam para criar a sensação de pertencimento à capital, que se resume em uma palavra: identidade. E aponta para o tema do segundo volume: se a cidade levou décadas para ser construída, é porque ela pode também ser destruída.
Em "Porto Alegre, das origens à predação neoliberal", volume segundo, Barcellos desenvolve a tese anunciada no primeiro: a de que a identidade da capital gaúcha está sofrendo um processo de predação impulsionada pelas políticas neoliberais em ascensão. Completando sua obra de quase 1.400 páginas, o autor aprofunda sua análise pessoal do desenvolvimento recente de Porto Alegre. Agora, ele mostra a desconstrução dos aspectos vistos no primeiro volume: cidade, sociedade, política, memória, educação e cultura, campos descritos de meados do século XX até hoje. Barcellos, diferente do primeiro volume, aqui reúne seus ensaios produzidos para portais como Sler, Sul21, A Terra é Redonda e Estado de Direito em uma obra que não é um manual de história da cidade, mas a visão pessoal de um de seus pesquisadores. Por essa razão, finaliza com um capítulo que mostra como ser antipredatório numa sociedade predatória. Sua descrição mostra que originalidade, pertencimento e diferença cedem espaço ao império do igual, ao desenraizamento e desconfiguração da paisagem da cidade, produzida pelas políticas neoliberais. A obra, inspirada em pensadores contemporâneos como Slavoj Zizek e Byung-Chul Han, apresenta, em estilo ensaístico, como a cidade vem sendo lentamente destruída em sua identidade em diversos campos; o que surpreende o autor é a rapidez desse processo, pois a cidade levou dois séculos para ser construída, mas está sendo destruída em pouco mais de duas décadas.
Reunindo ensaios publicados nas plataformas SUL21, SLER, RED, Brasildefators e A terra é redonda, Neoliberais não merecem lágrimas é o 21º livro de Jorge Barcellos. Como produto de um dilúvio bíblico, ele cobre exatos 40 dias da tragédia climática que afetou a vida de todos os gaúchos. Contrariando o discurso dominante de que “não é hora de apontar culpados”, o autor busca entender como a omissão e fraqueza das autoridades permitiu que a maior tragédia climática que ocorreu no estado se agravasse. Associando omissões, erros e opções de governo, revela como o projeto neoliberal no estado e no município são também culpados da tragédia. Criticando as teses do estado mínimo, Barcellos defende que, por um lado, o caos climático estabeleceu no Rio Grande do Sul o “estado de guerra por outros meios” e por outro, que as chuvas não produziram apenas um caos econômico-político, mas da própria subjetividade de uma população duramente atingida por um trauma. Longe de uma visão simplista da tragédia, o autor pretende neste ensaio, o primeiro de análise social publicado sobre a enchente gaúcha, tirar lições para o aprendizado dos aspectos socioculturais e fazer uma crítica forte às consequências do estado mínimo, cavalo de batalha de políticos neoliberais
A obra reúne os ensaios do autor sobre a pandemia do coronavírus publicados na mídia eletrônica ao longo do primeiro semestre de 2020. Dividida em 11 capítulos, é a primeira obra que realiza uma ampla topologia do COVID-19, descrevendo sua repercussão no campo da economia, sociedade, política, subjetividade, educação, comunicação e outras áreas. A obra inclui ainda análise da repercussão da pandemia à nível municipal, estadual, nacional, compara as formas de combate do coronavírus na Nova Zelândia, Estados Unidos e México e descreve a construção de valores de solidariedade em conflito com iniciativas de reforço da ordem capitalista presentes nas políticas públicas e na vida em comum. Com um amplo capítulo dedicado às estratégias coletivas de combate ao coronavírus, Tempos de Pandemia é uma obra de leitura obrigatória para todos aqueles interessados nos aspectos sociais da pandemia, na sua apropriação para exercício de poder e na crítica das políticas públicas de seu combate empregadas pelo governo.
Instrumentos de educação e difusão cultural:
Nessa linha reunem-se estudos que visam a formar escritores e a disseminar informações de caráter histórico.
Reunindo orientações para equipes de professores das redes de ensino relatarem suas experiências, "Como se faz um ensaio" é diretamente inspirado no sucesso de Umberto Eco "Como se faz uma tese". Enquanto a obra de Eco visa formar estudantes universitários na escrita acadêmica, Barcellos visa auxiliar professores das escolas a construírem obras coletivas sobre suas experiências de sala de aula. Produto de uma consultoria em andamento, o autor extrai de sua prática ensaística lições para professores com os traços que alimentam sua relação com a escrita. Com a experiência de mais de 30 anos de publicação de artigos e ensaios nos jornais Zero Hora, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e das plataformas SUL21, SLER, RED, Brasildefators e A terra é redonda, Barcellos mostra nesta obra que escrever pode ser algo simples e divertido desde que esteja associada a uma preocupação constante com a investigação. Longe de um manual tradicional de redação, Barcellos reúne insights das artes, do cinema, da filosofia e da vida prática úteis para professores que tem como objetivo registrar suas experiências de ensino. É, com certeza, um manual original, que relata a experiência de um professor e pesquisador com a escrita, sugerindo fórmulas para a criação de ensaios de professores.
É uma agenda pessoal? Principalmente, mas não apenas isso. É um livro de história da cidade? Sim, pois cada dia tem seu fato histórico, mas não apenas isso. A Tchê, Anota Aí Agenda do Porto-Alegrense vai ajudar você com o dia a dia, mas também vai possibilitar que você descubra a história do lugar onde vive, conheça curiosidades e tire dúvidas.
Ela tem 12 temas, 1 por mês, como arquitetura, culinária, curiosidades, informações da cidade, entre outros. Ideal para quem quer conhecer a cidade, mas tem pressa. Ideal para quem precisa de um instrumento de trabalho, uma agenda, sem abrir mão da informação. Ela faz parte de um projeto educativo meu: deixar acessível às pessoas o conhecimento histórico em instrumentos cotidianos, como uma agenda. É um instrumento educacional disfarçado.
Porto Alegre é assim: o conhecimento de sua história dá matéria para quantas agendas quiser fazer. Esta é a segunda edição da agenda, para o ano de 2026. Com um olhar que combina história e cultura, eu espero que você goste. Eu gosto.
É uma agenda pessoal? Principalmente, mas não apenas isso. É um livro de história da cidade? Sim, pois cada dia tem seu fato histórico, mas não apenas isso. A Tchê, Anota Aí Agenda do Porto-Alegrense vai ajudar você com o dia a dia, mas também vai possibilitar que você descubra a história do lugar onde vive, conheça curiosidades e tire dúvidas.
Ela tem 12 temas, 1 por mês, como arquitetura, culinária, curiosidades, informações da cidade, entre outros. Ideal para quem quer conhecer a cidade, mas tem pressa. Ideal para quem precisa de um instrumento de trabalho, uma agenda, sem abrir mão da informação. Ela faz parte de um projeto educativo meu: deixar acessível às pessoas o conhecimento histórico em instrumentos cotidianos, como uma agenda. É um instrumento educacional disfarçado.
Porto Alegre é assim: o conhecimento de sua história dá matéria para quantas agendas quiser fazer. Esta é a segunda edição da agenda, para o ano de 2026. Com um olhar que combina história e cultura, eu espero que você goste. Eu gosto.
Relatos biográficos e de viagens
Nesta linha reune-se, especialmente a autobiografia do autor e estudos de memória e viagens.
Quando Jorge Barcellos, historiador, doutor em Educação, professor de milhares de alunos, criador do Programa Educação para Cidadania da Câmara Municipal de Porto Alegre, autor de 29 livros de história, política e cultura e com uma carreira de quase quarenta anos, não teve aceito seu nome para um verbete da Wikipédia, primeiro bateu a depressão, mas depois ele decidiu reagir. Em “Sem indicação de importância”, sua autobiografia intelectual e sentimental, Barcellos narra sua história de vida. A obra, estruturada em quatro capítulos, define sua geração como a dos “sobreviventes” em relação à anterior, chamada de os “vencedores”: sobrevivente às condições de pobreza, ao trabalho, à aposentadoria, encerrando com um capítulo perguntando se “é possível sobreviver à morte?”. Barcellos mostra ao final que o projeto original de construção de uma enciclopédia coletiva internacional ainda provoca muitos debates intelectuais pelo modo como é organizado, pelos métodos que defende e pelas exclusões que produz. Para Barcellos, no fim das contas, como no fim de muitas relações de enamoramento, o problema pode não ser você, mas ele.
A partir de suas recordações de infância e adolescência com clássicos como Perdidos no Espaço à Guerra nas Estrelas, Barcellos tinha como obsessão percorrer a história americana. Sua pergunta: como os Estados Unidos chegaram a posição de dominarem a indústria cultural ditando os signos da narrativa contemporânea da era do streaming e da Netflix? Para isso, o autor de “Estados Unidos: das origens ao combate ao coronavírus” repassa quatro séculos de história para chegar a um retrato da condição contemporânea americana: ser estrangeiro no próprio país. Na linha inaugurada por Nelson Brissac Peixoto em Cenários em Ruinas (Brasiliense, 1987) Barcellos vê os Estados Unidos como o primeiro país a tratar tudo como imagerie, transformando sua história em personagens de cinema. Num mundo saturado pela mídia, fundaram uma mitologia pop a partir da sua história cujo objetivo era criar uma identidade a um lugar. Narrando a experiência americana da colonização à independência, e desta, às consequências da industrialização à política internacional, o autor aponta pequenos detalhes que foram essenciais nesta história. E vê, na história americana recente, o papel que Nova Iorque teve na construção desse imaginário, estabelecendo seus momentos chaves no ataque às Twin Towers e combate ao coronavírus para chegar a conclusão que a conquista da hegemonia cultural aconteceu porque os EUA, melhor do que outro povos, souberam traduzir o tema do exilio interno em sua cultura.
Estudos de Política Contemporânea:
Nesta linha reúnem-se balanços teóricos do pensamento de política contemporânea, bem como reflexões sobre o passado e o futuro do Partido dos Trabalhadores, seus opositores e instrumentos institucionais que visam a desacreditar políticas de esquerda.
Em um mundo marcado por transformações aceleradas e desafios complexos, compreender as ideias políticas que moldam o pensamento contemporâneo é essencial para a atuação consciente e crítica no serviço público. Esta obra, destinada à formação de servidores públicos por escolas do legislativo, oferece uma análise profunda e acessível das filosofias de dez pensadores fundamentais do nosso tempo: Paul Virilio, Byung-Chul Han, Pierre Bourdieu, Pierre Rosanvallon, Dani-Robert Dufour, Jean Baudrillard, Maurízio Lazzarato, Pierre Legendre, Jacques Rancière e Robert Kurz.
Ao explorar temas como o Estado, o poder, as dinâmicas de controle e as categorias fundamentais da política, o livro convida o leitor a refletir sobre os pressupostos que orientam as instituições e as práticas democráticas. Cada capítulo desvenda as contribuições desses pensadores, conectando suas teorias aos desafios concretos enfrentados pelos profissionais do legislativo e da gestão pública. Com linguagem clara e enfoque prático, esta obra não apenas apresenta conceitos filosóficos, mas também os relaciona com questões atuais, como a influência da tecnologia, as crises de representação e as novas formas de exercício do poder. Ideal para servidores públicos, estudantes e interessados em política, este livro é um convite à reflexão crítica e à construção de uma atuação pública mais informada e transformadora. Uma leitura indispensável para quem busca compreender as bases do pensamento político contemporâneo e aplicá-las na prática legislativa e na gestão de políticas públicas.
Quando a esquerda perdeu as eleições em Porto Alegre para José Fogaça e José Fortunati, vá lá, ainda eram forças de centro-esquerda do campo democrático; quando perdeu para Nelson Marchezan e Sebastião Melo, a situação se agravou: agora era para um projeto de direita assumidamente neoliberal. Mas perder de novo para Melo em 2024, “o homem do chapéu de palha”, tornou-se inaceitável numa eleição certa depois da enchente de maio daquele ano: se perdeu, só podia ser porque havia algo de muito errado na forma de atuação da esquerda na capital gaúcha e que resultou nesse desfecho.
Debruçando-se sobre esta questão, Barcellos propõe que, para sair do atoleiro em que se encontra, a esquerda precisa substituir Gramsci por Zizek, o materialismo histórico pelo anarquismo do grupo Centelha e a guerra de posição pela guerra simbólica. Sem isto, não haverá futuro para a esquerda.
As sucessivas derrotas da esquerda no Rio Grande do Sul são um termômetro do antipetismo. Porto Alegre, a cidade em que o PT governou por dezesseis anos amarga a perda do governo desde 2005, e no estado do RS desde 2015. O que coloca a questão: após governar por tanto tempo, o que explica o antipetismo?
Para autor, as explicações no crescimento da direita na cidade e no estado não são suficientes. É preciso encontrar as razões no desempenho do próprio partido durante esse período. Barcellos aponta o ano de 2002 como a data chave do um processo que levou a direita a ocupar espaços inimagináveis na Prefeitura de Porto Alegre e no governo do Rio Grande do Sul. Mas engana-se quem pensa que o sucesso da direita se deve as suas virtudes. Para Barcellos, foi a própria esquerda que permitiu esta situação quando foi incapaz de combater um processo de corrosão política do qual até hoje não conseguiu se libertar.
O autor tem legitimidade para fazer sua crítica. Fervoroso simpatizante do partido desde os anos 80, não filiou-se exatamente para manter o distanciamento critico que vemos em A corrosão do PT. Para ele, os anos de glória do partido foram também os de aceitação, pelas lideranças do partido, de ações contrárias a sua natureza e, portanto, produtoras de imensa perda de fé nos signos que o partido encarnou para a sociedade.
A Corrosão do PT foi escrita em 2002 e não havia sido publicada por que o autor não queria que a obra servisse como argumento para o fortalecimento da direita. Agora, em que a direita vive seu êxtase, mais do que nunca é necessário a reflexão sobre que lugar a esquerda pretende ocupar na paisagem política. Para o autor, enquanto o PT não realizar seu mea culpa, ele não retornará ao poder porque não completou sua expiação política, fugiu da dor de reconhecer suas fraquezas, momento necessário para enfrentar o antipetismo que se expande no país e no estado.
Sebastião Melo fez uma carreira política fulminante. Em vinte anos, foi de vereador à Prefeito. Iniciou sua carreira como vereador em 2000, reeleito em 2004 e 2008. Foi Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre por dois anos, fato raro e, em 2016, foi candidato derrotado à Prefeito, recebendo no segundo turno 262.601 votos. Eleito Deputado Estadual, candidatou-se em 2020 novamente à Prefeito, recebendo 350.550 votos, mas, para o autor, venceu com um programa de governo totalmente distinto da campanha anterior.
A candidatura à Prefeitura de Porto Alegre sempre foi objetivo de Sebastião Melo, mas no primeiro turno de 2020, poucos acreditavam na possibilidade de vitória. Foi o rearranjo eleitoral provocado pela desistência de José Fortunati e os apoios que conquistou no segundo turno que levaram Sebastião Melo ao mais alto cargo político da cidade.
Este livro trata dos programas de governo de Sebastião Melo. Concentra-se na comparação dos conteúdos programáticos dos planos apresentados nas eleições de 2016 e 2020. Compara seu programa com os de seus concorrentes no segundo turno de cada uma destas eleições, Nelson Marchezan e Manuela d’Ávila. Analisa o contexto eleitoral, as metas e aprofunda as diferenças programáticas. O objetivo é apresentar ao leitor uma visão do percurso dos programas de governo de Sebastião Melo para explicar como elemento integrante de sua guinada de centro à direita, o que ampliou seu potencial eleitoral.
Para o autor, como é possível que, com um programa inferior a de sua concorrente, Manuela d´Ávila, Sebastião Melo conquiste a Prefeitura? Porque o programa de 2016, superior ao de seu concorrente, Nelson Marchezan Jr, foi incapaz de lhe lograr a vaga do Paço Municipal? Obra de referência para o estudo de programas de governo, para o autor Sebastião Melo é um candidato dividido entre seu desejo de um programa social, inspirado nos ideais democráticos do MDB e outro neoliberal, que precisou elaborar para atender aos interesses de seus apoiadores. Barcellos acredita que o destino do atual prefeito está entre o personagem Fausto, de Goethe, que vendeu a alma a diabo e Darth Vader, de Guerras nas Estrelas, que ao final da trilogia se revela um homem bom e pergunta: que lugar pretende ocupar Sebastião Melo na história da cidade? Para o autor, há ainda algo mais profundo a considerar: Sebastião Melo tem um mandato para expiar uma dor, a provocada pelo suicídio de Plinio Alexandre Zalewsky Vargas, autor de seu plano de governo de 2016 e seu amigo pessoal. O autor lança um desafio ao novo Prefeito: só o colocando em prática o programa de Plinio é que Sebastião Melo poderá acertar as contas com seu passado.
Como os Tribunais de Contas podem contribuir para a educação? E como seus conselheiros, munidos das melhores intenções, acabam por ampliar os problemas de professores, estudantes e comunidade escolar? Eis as questões centrais que “O Tribunal de Contas e a Educação Municipal” apresenta ao leitor.
Oriunda da análise do documento “Avaliação da eficiência e da eficácia da Rede Municipal de Ensino Fundamental de Porto Alegre” produzido pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul em 2016, este estudo aponta para o redirecionamento dos objetivos e funções desta instituição na atualidade: para o autor, o órgão está passando por uma transformação de seus objetivos, que deixam de ser fiscalizatórios para se transformar em agente de políticas públicas. Estudo essencial para compreender o funcionamento dos Tribunais de Contas na era do espetáculo político, a obra revela os dissensos entre conselheiros, auditores, professores, secretários de educação e pesquisadores acadêmicos.
O estudo revela a adoção, pelos auditores do TCE/RS, dos mesmos princípios gerencialistas que guiaram as reformas administrativas no Brasil desde os anos 90 e que são criticados por estudos acadêmicos e universitários. Inspirados em autores como Pascal Bruckner, Diane Ravich e Pierre Bourdieu, o trabalho sugere que mesmo imerso em tabelas e estatísticas, mas sem uma visão ampliada da educação que dê conta da realidade, o estudo do TCE/RS termina por agir no sentido contrário dos objetivos de seus autores, contribuindo para aprofundar a crise da educação municipal pela distância que estabelece entre os objetivos que propõe ao sistema de ensino e a realidade.
Estudos sobre Câmaras Municipais:
Nesta linha são investigadas expressões do novo gerencialismo no interior das Câmaras Municipais, bem como a vida cotidiana nas diversas expressões da organização do trabalho do Legislativo, concluindo com uma análise da construção no seu interior das políticas educacionais.
Sebastião Melo fez uma carreira política fulminante. Em vinte anos, foi de vereador à Prefeito. Iniciou sua carreira como vereador em 2000, reeleito em 2004 e 2008. Foi Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre por dois anos, fato raro e, em 2016, foi candidato derrotado à Prefeito, recebendo no segundo turno 262.601 votos. Eleito Deputado Estadual, candidatou-se em 2020 novamente à Prefeito, recebendo 350.550 votos, mas, para o autor, venceu com um programa de governo totalmente distinto da campanha anterior.
A candidatura à Prefeitura de Porto Alegre sempre foi objetivo de Sebastião Melo, mas no primeiro turno de 2020, poucos acreditavam na possibilidade de vitória. Foi o rearranjo eleitoral provocado pela desistência de José Fortunati e os apoios que conquistou no segundo turno que levaram Sebastião Melo ao mais alto cargo político da cidade.
Este livro trata dos programas de governo de Sebastião Melo. Concentra-se na comparação dos conteúdos programáticos dos planos apresentados nas eleições de 2016 e 2020. Compara seu programa com os de seus concorrentes no segundo turno de cada uma destas eleições, Nelson Marchezan e Manuela d’Ávila. Analisa o contexto eleitoral, as metas e aprofunda as diferenças programáticas. O objetivo é apresentar ao leitor uma visão do percurso dos programas de governo de Sebastião Melo para explicar como elemento integrante de sua guinada de centro à direita, o que ampliou seu potencial eleitoral.
Para o autor, como é possível que, com um programa inferior a de sua concorrente, Manuela d´Ávila, Sebastião Melo conquiste a Prefeitura? Porque o programa de 2016, superior ao de seu concorrente, Nelson Marchezan Jr, foi incapaz de lhe lograr a vaga do Paço Municipal? Obra de referência para o estudo de programas de governo, para o autor Sebastião Melo é um candidato dividido entre seu desejo de um programa social, inspirado nos ideais democráticos do MDB e outro neoliberal, que precisou elaborar para atender aos interesses de seus apoiadores. Barcellos acredita que o destino do atual prefeito está entre o personagem Fausto, de Goethe, que vendeu a alma a diabo e Darth Vader, de Guerras nas Estrelas, que ao final da trilogia se revela um homem bom e pergunta: que lugar pretende ocupar Sebastião Melo na história da cidade? Para o autor, há ainda algo mais profundo a considerar: Sebastião Melo tem um mandato para expiar uma dor, a provocada pelo suicídio de Plinio Alexandre Zalewsky Vargas, autor de seu plano de governo de 2016 e seu amigo pessoal. O autor lança um desafio ao novo Prefeito: só o colocando em prática o programa de Plinio é que Sebastião Melo poderá acertar as contas com seu passado.
Jorge Barcellos é o principal estudioso da Câmara Municipal de Porto Alegre na atualidade. Com quatro obras publicadas sobre a instituição, O Olho de Cristal conclui análise iniciada com Educação e Poder Legislativo. Nesta obra, o autor descreveu os projetos de lei de educação formulados no parlamento entre 2001 e 2008; na seguinte, O Olho de Deus, realizou sua análise do processo de reforma administrativa do parlamento do ano de 2005 e em O Olho do Crocodilo dedicou-se a analisar a função historiadora, educativa e de políticas públicas do parlamento. O Olho de Cristal finaliza com uma análise da vida cotidiana e do trabalho do Poder Legislativo.
Em todas as obras de Barcellos, a Câmara Municipal de Porto Alegre é visto como um lugar de aprendizagem: vereadores aprendem a fazer leis; servidores aprendem suas funções de trabalho; estudantes aprendem como funciona o legislativo e a sociedade aprende como reivindicar e participar neste espaço. Para o autor, o parlamento é um lugar onde se aprende e de onde se aprende, possui uma intrínseca função educativa.
Barcellos utiliza como método a observação participante. Ela origina-se do seu olhar crítico sobre a instituição, do olhar que vê o movimento social que se expressa pelos atores do e no legislativo de uma perspectiva original, do interior da instituição. Neste espaço fundamental para o exercício da democracia, o seu funcionamento importa. Ele é afetado pelas transformações do mundo e pela ação dos atores sociais sobre os atores políticos: não se trata apenas de produção de leis, mas do atendimento de condições de reprodução social sem o qual a sociedade propriamente dita não existe.
Crítico da expansão do neoliberalismo na política, nesta obra para o autor as formas de expressão da vida cotidiana e as transformações do trabalho são essenciais como formas de resistência à dominação social. Inspirado no pensamento de Michel Mafessoli sobre o cotidiano e de André Gorz sobre trabalho, O Olho de Cristal é uma abordagem original do parlamento, que com as demais obras do autor, constitui uma inédita análise sobre a Câmara Municipal de Porto Alegre.
Foi uma postagem na timeline do tradutor francês Pierre Madelin que chamou a atenção do autor para a obra que narra o encontro da filósofa e ecofeminista australiana Van Plumwood com um crocodilo que o levou a fazer a questão paradoxal: e se não fosse um animal, mas nossas instituições, o objeto de um olhar radical no limite entre a vida e a morte? É a partir deste pensamento inusitado que Barcellos propõe sua versão particular de "O Olho do Crocodilo", segundo volume de sua trilogia dedicada ao poder local que oferece ao leitor um olhar “de dentro” da Câmara Municipal de Porto Alegre a partir do campo dos Estudos Legislativos. Na mais importante instituição política da capital do Rio Grande do Sul, o autor revela que a imagem pública semelhante a de um ser que devora a tudo e a todos em embates cruéis na luta política convive com ações que beneficiam a sociedade.
O autor reuniu estudos ao longo de uma década para mostrar que o Legislativo trabalha intensamente para sua cidade: da ação no campo da memória as iniciativas educativas, passando pelas ações do parlamento em projetos de proteção social, Barcellos mostra que, olhando do fundo do olho da instituição, exatamente como fez Plumwood quando atacada por um crocodilo, isto é, olhando sem medo e buscando a verdade, encontramos iniciativas, projetos e ações que mostram que o parlamento de Porto Alegre como instituição é muito diferente de sua imagem pública devoradora. A conclusão do autor é que a Câmara Municipal de Porto Alegre pode ser um crocodilo sim, mas não é o de Plumwood, mas o de Hanna Barbera, o popular Wally Gator que, como o personagem dos desenhos animados, possui uma imensa vontade de ir à sociedade, conhecer seus problemas e propor soluções, mas enfrenta o problema de que ela a recusa e foge dela, exatamente como faz com Wally, pelo desconhecimento que tem de sua natureza e trabalho, o que os artigos aqui reunidos buscam esclarecer.
Como as Câmaras Municipais podem contribuir para a educação? E como seus atores interferem na produção legal? Eis as questões centrais de uma pesquisa que enfoca a contribuição do parlamento local na formulação de políticas públicas de educação no município de Porto Alegre no período de 2001 a 2008. Período marcado pela transição do governo do PT ao PMDB, a pesquisa descreve o processo da produção legal com o apoio da abordagem do ciclo de políticas públicas, considerando três etapas: a justificação do problema, a agenda governamental e a tomada de decisão. Estudo essencial no contexto de avanço do discurso neoliberal em educação com a defesa do desmanche do ensino público, aponta caminhos para educadores, sindicalistas e militantes usarem o espaço democrático do parlamento em suas lutas em defesa da educação. No momento em que a construção de consensos políticos em defesa da educação pública perde espaço para dissensos com base na defesa da privatização da educação, o estudo sugere que os atores adquirem poder quando conseguem efetuar no jogo político suas propostas de lei, enfrentando no campo da instituição legislativa, as estratégias de obstaculização impostas pelos atores de direita. Inspirado em autores de ponta nas ciências sociais como Zygmund Bauman, Slavoj Zizek e Richard Sennet, o trabalho sugere a adoção de uma postura de luta no jogo político, bem como denuncia o potencial represado de contribuição do legislativo no ordenamento legal da educação.
Estudos de Teoria e Historiografia:
Reúne estudos sobre teoria, historiografia e história da cultura com o objetivo de formular bases para a elaboração de uma teoria da subjetividade, tema da seção seguinte.
A publicação de "Para Sair do Século XX", de Edgar Morin (1986), "O Pós-Moderno", de Jean-François Lyotard" (1986) e "A Instituição Imaginária da Sociedade", de Cornelius Castoriadis, (1982) provocaram um amplo debate no interior das Ciências Sociais. A ideia da crise do saber já acompanhava a reflexão de historiadores, sociólogos e antropólogos brasileiros e latino-americanos, mas por muito tempo a emergência do debate sobre o advento da Pós-modernidade foi visto como um momento de enfraquecimento da crítica de esquerda. Essa posição se revelou, décadas depois, uma das principais fragilidades dos intelectuais engajados na luta contra o avanço do conservadorismo, do autoritarismo, do racismo, da intolerância e do neofascismo das primeiras duas décadas dos anos 2000. Essa recusa dos novos horizontes utópicos, dos novos paradigmas em Ciências Sociais foi responsável pela impotência política e teórica para antecipar o movimento que levou Jair Bolsonaro ao poder.
Na obra “O Paradigma Estético”, Barcellos resgata sua visão particular da emergência do debate sobre a natureza da Pós-modernidade no Brasil. Reunindo estudos realizados no calor dos debates entre 1989 e 1993, o autor encontrou o fio da meada: frente às dúvidas e angústias para o avanço da pesquisa em Ciências Sociais, o que estava em jogo era a emergência de um novo paradigma, o Paradigma Estético, voltado para direcionar o olhar dos pesquisadores para a experiência coletiva, a subjetividade e a vida cotidiana. Mais tarde, no Brasil de Bolsonaro, quando os mesmos pesquisadores descobriram que o debate sobre a construção da subjetividade coletiva era uma questão central de poder, ficaram atônitos. Como foram incapazes de prever o movimento que levou Jair Bolsonaro ao poder? Essa incapacidade de diagnosticar o real, de antecipar a catástrofe, só pode ser explicada por uma falha de formação, a ausência da apropriação de um debate que foi um dos mais importantes daquela geração. Reunindo estudos do final dos anos 80, época em que se formou a geração do autor, "O Paradigma Estético" apresenta o modo como a teoria social oferecia oxigênio para a esquerda e porque ela foi incapaz de ampliar a base de suas crenças para se revigorar. As dicas estavam no ar. Os autores novos, chegando com suas ideias inovadoras e polêmicas. Hoje, para enfrentar o êxtase neoliberal, a esquerda precisa correr atrás do prejuízo.
Quando você diz: «mas isso não é possível», o que você quer dizer? Baudrillard sabe. O filósofo e sociólogo francês foi um notável estudioso das formas do absurdo da vida contemporânea. Da cultura de massa à política, passando pelo terrorismo e pelas Twin Towers, nada passou desapercebido pelo olhar crítico de Baudrillard. O autor de «A guerra do Golfo não existiu», nutria uma admiração pelo funcionamento dos vírus e do câncer, cujo modelo, dizia, era excelente para explicar a sociedade que vivemos. Baudrillard, que faleceu em 2007, não conheceu o coronavírus, mas teria muito a dizer. Por isso é urgente retornar ao seu sistema de pensamento, que Barcellos recria com a maestria em «A Impossibilidade do Real», porque como diz o único filósofo citado no filme Matrix, o real não é aquilo que parece ser.
O Camareiro da Rainha: Estudos de Teoria e História da Cultura reúne estudos de mais de 30 anos do autor que viu o momento atual como ideal para publicá-los: para Barcellos, a atualidade da obra está no fato de que hoje vemos um processo galopante de destruição das políticas e bens culturais, como se falar de cultura não exigisse nenhum estudo anterior.
Oferecendo uma visão geral de temas de teoria e história da cultura que ajudam o leitor a compreender a importância do tema e sua implicação com o Brasil, o livro é organizado em três partes principais. A primeira mostra como na análise da cultura se combinam diversos campos interdisciplinares da história cultural, explorando perspectivas que vão de interpretações tradicionais, marxistas e pós-modernas no âmbito das artes e da cultura; a segunda faz um apanhado histórico da produção cultural a partir de uma linha de tempo proposta pelo autor que tem no Renascimento o seu auge e a terceira mostra a evolução da cultura brasileira e o nascimento do mais perfeito veículo de comunicação da cultura nacional, a televisão.
A obra mostra a importância de resgatar os conteúdos sociais no interior da produção cultural, revelando que estes produtos, ao longo da história, estão intimamente relacionados às condições sociais de exploração. Para o autor, o distanciamento entre as abordagens estéticas e históricas da cultura esquece que, através da arte, a subjetividade de uma época é construída e revelada. A proposta de Barcellos de união entre estas duas correntes possibilita uma interpretação qualitativa e nova da cultura sem a qual não poderemos observar, como na obra de Velázquez, "As meninas", a presença da “gente comum”, que faz história e sustenta a sociedade. A cultura e a arte, afirma o autor, correspondem a uma demanda subjetiva de expressão de realidades espirituais em um contexto histórico, e o problema é que, sob o capital, tudo se torna intercambiável, nos transformando numa "sociedade.
Estudos de Subjetividade:
Analisa, na linha de Michel Foucault, como uma das expressões da subjetividade, a sexualidade, se transformou em discurso ao longo do tempo. Privilegiando a história geral, do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, analisa campos e períodos distintos com o objetivo de revelar as estratégias de sua formulação.
Este é a primeira pesquisa realizada sobre análise do discurso médico no Rio Grande do Sul. Produto de um trabalho de conclusão do curso de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizado em 1988, a pesquisa foi orientada pela Dra. Sandra Jatahy Pesavento (in memorian) e analisa as teses dos médicos formados pela Faculdade de Medicina entre os anos 1890 e 1940. O estudo mostra a atuação da classe médica na construção de valores de reforço da ordem capitalista enquanto descreve a associação entre uma classe não dominante com classes sociais detentoras do capital através da reprodução e disseminação de suas ideologias para a sociedade. Seu autor descreve a criação do discurso médico-higienista em Porto Alegre através da disseminação de concepções morais de relacionamento entre os sexos, valores com relação à família, criação das crianças e das práticas sexuais na sociedade sul-rio-grandense que reforçam as condições da dominação social extramuros das fábricas. Estudo seminal para todos os pesquisadores que estudam o discurso médico como lugar de exercício de poder, a trama de conceitos de moralidade no nascimento do capitalismo gaúcho, é obra de referência no campo de análise do discurso médico e caminhos da construção de valores morais na passagem do século XIX para XX.
A sexualidade é via de expressão da intimidade humana. Ela põe em funcionamento a paixão mas, como pergunta o filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek, como é que aprendemos a amar? Partindo do acompanhamento de programas de Educação Sexual no município de Porto Alegre no ano de 1990, este livro mostra a amplitude e a variância dos fenômenos relativos aos afetos na escola. A circulação dos sentimentos, para o autor, é tão importante quanto a circulação da palavra, dos saberes sobre o sexo e constitui-se um componente estrutural do sistema escolar .
Além disso, o autor demonstra que aprendemos a amar à medida que experimentamos, sob múltiplas e variadas formas, a figura arquetípica de Eros, que constitui, nas palavras do autor, elemento integrante da sociabilidade de base escolar. A Pedagogia de Eros demonstra que há uma poderosa força orgíaca na escola, definida pela fusão do eu no coletivo e que deve ser desvelada pelos educadores sob o risco levar quaisquer programas de Educação Sexual ao fracasso pela saturação dos seus conteúdos de ensino frente a vitalidade da cultura escolar. A sombra de Eros insinua-se em nosso sistema escolar e deve ser levada em conta nestes programas, conclui o autor.
Saber e Moralidade, o primeiro tomo, analisava a moral sexual presente no discurso médico da Primeira República. A Pedagogia de Eros, o segundo tomo, analisava a sexualidade presente no discurso pedagógico da Educação Sexual da Nova República. Neste terceiro, que pode ser lido separadamente, é o último volume de sua trilogia do sexo em discurso, intitulada A História da Paixão, Barcellos disseca ainda mais a realidade histórica e desta vez, volta-se para a análise da sexualidade no discurso estético, da Antiguidade aos tempos atuais, como expressões que respondem, ou em alguns casos respondiam, a conceitos sobre paixão, sexualidade e erotismo. Analisando também fenômenos derivados da globalização econômica e informacional, como a pornografia e a prostituição, o autor conseguiu produzir um estudo que vai dos mitos e narrativas antigas, como Eros e Psiquê e o Banquete de Platão, passando pelas histórias de Tristão e Isolda e Abelardo e Heloisa, para mostrar as características que diferenciam a paixão do sexo e do erotismo. Sua análise da época moderna, a partir da relação do nu e do desnudo renascentista ainda presente em nossa cultura, à sua análise da cultura brasileira, da poesia de Gregório de Matos à de Mario de Andrade e Lupicínio Rodrigues, faz sua análise única no gênero. Sua trilogia, como a de Foucault, busca entender o discurso da sexualidade e da paixão e suas relações com a emergência do capitalismo comercial e industrial e inova ao abranger uma história mundial e brasileira num único volume. Obra de referência para historiadores, psicanalistas e sociólogos da comunicação e todos os interessados no estudo da subjetividade, a obra abre perspectivas que nos ajudam a compreender as situações e mudanças que vivemos hoje e que não seriamos capazes de compreender se não fosse a ampla gama de fontes e literatura utilizadas na obra, que proporciona bases para nossa reflexão e entendimento da paixão como fenômeno individual e social.
Estudos de História:
Reúne obras de história fotográfica do século XIX e de memoria oral de Porto Alegre do século XX.
A obra contém 303 imagens fotográficas, a maioria de logradouros públicos no século XIX, dos principais acervos de Porto Alegre, especialmente do Museu Joaquim Felizardo. A pesquisa é do historiador e servidor Jorge Barcellos, da Escola do Legislativo Julieta Battistioli da Câmara Municipal de Porto Alegre, A obra foi integrante do aniversário de 250 anos do legislativo da capital gaúcha e presta uma homenagem ao historiador Sérgio da Costa Franco, falecido em 2022. Organizada em três linhas que se sobrepõem e que podem ser lidas separadamente. A primeira segue a história política da cidade na região; a segunda insere o nascimento dos equipamentos urbanos fomentada pela Câmara na evolução urbana de Porto Alegre e a terceira, de caráter ilustrativo, é feita através de fotografias de época que mostram as ações dos vereadores, equipamento à equipamento, onde a obra de Sérgio da Costa Franco é a principal fonte de pesquisa.
Produto do Projeto Memória dos Bairros, a obra descreve a história, na visão dos moradores, do bairro situado no limite norte da cidade e que faz divisa com o município de Alvorada. Criado e delimitado pela Lei Municipal n.º 3.159, de 09/07/1968, atualmente, é o bairro mais populoso da capital, contando com mais de mil habitantes, de acordo com dados do último Censo/IBGE (2010). O livro descreve a zona norte da capital, até o início do século XX, como uma região agropastoril, com sua economia baseada na venda de leite. Os minifúndios dominavam a paisagem e também abasteciam a área central. A incorporação da zona norte como parte urbana de Porto Alegre foi reflexo do crescimento e desenvolvimento industrial e comercial da Capital. Isso tornou a região do Rubem Berta densamente habitada a partir da década de 1960, constituindo-se o bairro em mais de 20 vilas e grandes conjuntos habitacionais. Essa ocupação ocorreu por meio de loteamentos de diferentes iniciativas: poder público, iniciativa privada, invasões e áreas de ocupações mistas, com parte do loteamento organizado, e outra, com ocupação irregular.
Produto do projeto Memória dos Bairros, o atual Bairro Glória tem suas origens nos finais do século XIX, desenvolvendo-se ao longo da velha Estrada de Belém, a qual fazia a ligação entre Porto Alegre e a freguesia de Belém Velho. Em 1883, a viúva e os herdeiros da família Silveira Nunes doaram à Prefeitura um terreno para abertura de uma nova estrada que ligasse a estrada da Cascata, atual Rua Oscar Pereira, com a da Cavalhada, atual Rua Carlos Barbosa, resultando em segmento da atual Rua Nunes. A abertura desta rua motivou as primeiras ocupações da região. Em 1895, o coronel Manuel Py comprou e loteou um terreno de herdeiros da família Nunes junto à Rua General Gomes Carneiro, correspondendo, hoje, à região do Bairro Medianeira. Há registros de que, no ano seguinte, entrou em circulação a primeira linha de bonde, a qual tinha seu último ponto no Arraial da Glória, chegando em 1897 até a Capela Nossa Senhora da Glória.
Lugar de Mulher - Pequena história da educação feminina em Porto Alegre 1820-1940, de autoria de Jorge Barcellos, Paulo Muniz e Rita Santi, foi editada pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. Nele emerge a história da educação feminina em quatro instituições principais: a seção feminina do Colégio Parobé; o Instituto de Educação General Flores da Cunha, o Colégio Bom Conselho e o Colégio Sevigné. Revelando a vida nos internatos, a vida cotidiana e as formas de solidariedade feminina na passagem do século.
Percília — uma vivência de cem anos é o terceiro volume da série Depoimentos, editada pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. De autoria de Jorge Barcellos, Paulo Muniz e Luciana Menegoni Meirelles, na obra emerge a voz de uma mulher pobre, que durante toda sua vida trabalhou como cozinheira em casas e hotéis espalhados por São Francisco de Assis, Alegrete e Porto Alegre. Hoje, mora numa vila popular da capital gaúcha. Percília, ao longo de vários encontros com a equipe de pesquisadores, falou de suas vivências, de sua experiência na luta para garantir sua subsistência e a da família. Este depoimento interessa àqueles que buscam compreender os mecanismos de preservação da organização familiar e àqueles que trabalham no campo da memória social.